Quarta-feira, Agosto 26, 2009

Amor e Ponto Final

Ele há livros que nos tocam de alguma maneira, uma passagem, frases que nos ficam na memória e, este livro de contos rematou de forma exemplar. E para aumentar o interesse na sua leitura, o que recomendo,o autor é português. É o primeiro livro que leio dele e tou com pedalada para ler outros que encontre. Mas acontece que este é ainda o primeiro e único do autor, não se sabendo se veio para ficar se não.

Mas até lá deixo aqui o excerto que me perturbou, a ideia que me deixou com arrepios e de cujo valor de verdade me fiz crente. O sumo está no ultimo paragrafo, mas deixo parte do contexto do conto para vos situar na ideia do autor: pelo menos assim o espero, pois o conto é demasiado longo para o dactilografar para o PC.


Ponto Final

(...)

Tento entrar no modo de hibernação mas o sono não chega, ou aliás, o sono até chega mas a minha loucura de te ter em pensamento enquanto ele te tem em corpo é enorme. E mais louco fico quando me convidas para ir contigo para um sitio ermo, viver mais isolado do mundo contigo e tu a continuares nessa tua relação que desaprovo, por que sinto ciúmes e inveja, de eu não ser a pessoa de quem dormes junta. A amizade que deixamos crescer brotou raízes firmes e senti que podias precisar de mim, e eu, sem ninguém a quem sentir dar ajudar, pensei que seria bom seres tu. E foi. Mas nessa tua necessidade de companhia, não vou poder acompanhar-te mais. O meu limite é este, este que ninguém que me conhece me recomendava transpor, limite que quem não te conhecesse não compreenderia. Eu senti que me poderia doer, que por cada noite que não te vejo a embrulhares-te na tua cama o meu coração se sobressalta, esperneai e grita desiludido com a tua escolha. Mas foi a tua escolha, não a minha. A minha escolha sempre foste tu, a minha prioridade eras tu. Alimentava uma esperança vã de que me visses como eu te via. Desafiei o meu desejo psicológico de conforto e embarquei na nau que velejavas. Não me arrependo em nada, não nego o quanto te amo e o quanto queria que também me amasses, mas o teu amor não é o mesmo que o meu e sempre o soube. E sempre tive a esperança de estar errado.
Mas não estava!
E tive que deixar sentir na carne essa dor de apaixonado não correspondido, de deputado sem votos, de Romeu sem Julieta, para finalmente ver com toda a clareza o jogo que me aproximava de ti. De ver por que mantinha a esperança nas palavras doces que me dirigias quando te sentias melhor comigo do que com ele. Quando não querias estar com mais ninguém eu andava por perto, a farejar-te como um cão que fareja o dono quando está ferido e que o tenta consolar, quando te socorria do teu estado mórbido e te reanimava para a vida com gestos simples, coisas banais que tu eliminavas, trabalhar, comer, vestir, tomar banho e só dormias... e dormias... e nada dizias... e eu ali, a olhar para ti... a olhar por ti... na expectativa... e percebia.
Não posso mais... Não posso mais arrastar-me no oceano da tua indecisão por que a pessoa com quem te dás tem tanto medo de enfrentar a vida de frente como tu, tem medo de seguir os seus sonhos como tu, e parece tão incapaz, como tu. Chega... Não quero mais isso para mim. Já te descobri o suficiente. Tenho visto, ouvido, e sentido o suficiente para me descobrir a mim mesmo e o que não quero é continuar nesta farsa asquerosa que guardo nesta caixa de pandora a que chamam de coração. Tentei mostrar-te como o sexo não é importante para mim e, não é. Mas faz doer imenso quando se ama alguém. Desta forma de pensar não me posso libertar eu e, dói-me. E tu bem o viste e, descordas-te. Pois para ti se não há sexo não há relação... mas que merda de pensamento é esse?? Serei demasiado burro para a ver?? Para que quero eu o sexo sem o resto? Para isso vou ali para a casa de banho com uma revista debaixo do braço, ou um filme no portátil. Queixas-te e aceitas esse teu descontentamento? Talvez não sejamos tão diferentes quanto isso. Ou fui eu que me tornei mais como tu? Quem sabe...

O amante quer ser como a pessoa amada, quer ser a amada para amar o corpo que é dele. É isso que quero, amar-me a mim mesmo através de outro corpo, que não aquele que tenho, amar-me através do corpo de outra pessoa, quero ser o teu corpo quando me estás a amar. Quero sentir-te a amar o meu corpo e a minha pessoa, pois amar-me a mim mesmo é como o meu olho esquerdo a tentar dizer ao meu olho esquerdo para ver de que cor é que ele é... não consegue! E o único momento em que essa ilusão é possível é frente a um espelho. E como eu uso um espelho para o meu olho esquerdo ver qual a cor que ele tem, também eu te queria usar como ilusão da realidade, como espelho, para me mostrares através do teu corpo e amor por mim o quanto eu próprio me posso amar noutro corpo que não o meu. E será nessa busca por amor próprio que nos lançamos numa relação? Sexo ou masturbação? Onde está a diferença? Queremos ter um orgasmo com outra pessoa quando o podemos ter sem ela? E ao proporcionar à outra pessoa a mesma sensação vamos retribuir com a mesma ilusão de espelho que ela se convenceu que precisa? É isto a que chamamos de amor?

"Estórias de Amar" pag. 166, António Manuel de Brito.

Domingo, Novembro 02, 2008

Conhece-te a Ti Mesmo - por Krishnamurti

A tradução é minha, mas as palavras foram dele: Jiddu Krishnamurti. Agradeço a revisão do texto á Isabel, que me motivou a concluir a minha primeira tradução do K para o português.

Por J. Krishnamurti, tal como impresso na revista The Herald of Star no número de Maio de 1925.

Penso que não existe tema mais interessante ou mais prometedor, ou de forma alguma mais excitante, do que o estudo de nós mesmos. Aos 15 ou 16 anos, estamos submersos em nós mesmos. Não há nada que nos interesse tanto. Depois apaixonamo-nos por alguém; mas ainda assim estamos extasiados com nós próprios. Há, descobrimos, muito mais inteligência no estudo de nós mesmos, e muito pouco pensamento dedicado aos outros. E de bom grado damos a uma quiromante 15 rupias para ela nos contar tudo sobre nós. E sentimo-nos bastante confortáveis com o pensamento de que iremos ser grandes um dia – sem, aparentemente, ter que lutar por essa grandeza. Existe apenas um tema que nos atrai e esse somos nós mesmos. Discutimo-nos, e de uma forma aprobatória consideramos como nos comportar, de que modo desenvolvermo-nos, e por aí em diante.

Parece-me que se pensarmos inteiramente deste ponto de vista, deste ponto que unicamente nos interessa a nós, não entenderemos porque é que existimos, ou porque qualquer coisa neste mundo, de todo, existe. Claro que é verdade que primeiro temos de nos compreender a nós mesmos antes de querer descobrir seja o que for sobre a vida em geral. Filosofia, religião e outros temas não possuem real valor, real controlo sobre um indivíduo, ou apenas têm uma pequena influência, quando somente apontam como podemos escapar a certas coisas, como evitar o mal, e por ai fora. Mas aqueles de nós que são membros da Star, ou pertencem a tais organizações, deverão ter a ideia de um plano definido que está a desenvolver-se.

Estamos em posição de examinar as coisas que nos são mais valiosas – coisas que produzem em nós o desejo de evoluir. Em todos nós existe o desejo de descobrir por nós mesmos até onde podemos compreender quem somos e o que nos afecta. A pessoa comum está de longe mais interessada nela mesma do que em qualquer outra. Luxúria, conforto, felicidade, tudo tem que apoiar os seus fins. Quando tudo foi feito para a satisfazer então somente pensa nos outros. Quando eu tiver comido e dormido o suficiente, voltar-me-ei para pensar nos outros. Esta é a visão comum. Se tiveste amor em abundância, ou felicidade, és levado a pensar no outro.

Mas para alcançar essa felicidade, devemos descobrir até onde nos encaixamos num plano definido. Devemos estar cientes de que há um plano em que cada um de nós tem um papel a representar, e devemos possuir a determinação na qual agiremos, com a qual deveremos criar o ambiente no qual caberemos – ou não; e se estivermos dispostos a procurar com a atitude correcta deveremos ser capazes de descobrir até onde nos encaixaremos nesse plano. Para mim, posso imaginar que os deuses eleitos disseram que Krishna deverá encaixar-se num certo plano estabelecido, e que o quer que seja que ele faça, não terá valor, e enquanto encaixar nesse plano, Krishna crescerá e será feliz. Eu estava interessado e observava-me a mim mesmo, e podia ver de ano para ano uma mudança definida, uma orientação definida, uma transformação definida e podia ver qual era o meu definido papel. E assim cada um de nós deverá descobrir que caminho percorrer e qual a especialidade a ter.

Acontece frequentemente que a maioria de nós está disposta a subir até ao altar e verter a nossa devoção. A devoção existe, em diversos graus, na maioria de nós, mas não pode nem deve satisfazer-nos. Se eu fosse ter com a Dr.ª Besant e lhe disesse: “Estou disposto a servi-la em qualquer das minhas capacidades. Estou disposto a sacrificar tudo e o meu único desejo é trabalhar para obter conforto, independência, e por aí fora,” ela diria, “Oh, muito bem; que capacidades trazes contigo. De que modo queres prestar serviço ao Mestre?” A devoção deve ter um escape na actividade física; e desta forma se tivermos de determinar qual o papel que cada um de nós tem de representar, antes de nos oferecermos, devemos descobrir quais as capacidades que temos. Quando para um Teósofo ou um membro da Star ou qualquer outro, o chamamento aparece como “sacrifica tudo e vem ao Mestre,” não é suficiente pedir ao Mestre que aceite somente a nossa devoção; devemos dar-lhe qualquer coisa que lhe permita guiar-nos. Por outras palavras, devemos trazer perante o Mestre certas capacidades e não aparecer apenas de mãos vazias. Se eu puder chegar junto do Mestre e dizer “Eu posso fazer isto ou aquilo, eu posso escrever ou pintar ou compor música ou representar,” Ele dirá: “Muito bem, esse é o teu caminho. Vai e procura, descobre quais são os teus talentos, e logo que os encontres, saberás como sofrer e servir.” Pois existem muito poucos que realmente conseguem dizer, “Eu posso fazer isto; ao longo desta linha reside o meu sacrifício ao serviço do Mestre.” Consideramos que nos sacrificámos quando terminamos sem algo do qual podemos facilmente abrir mão.

Se eu tivesse imaginado algo em particular que o Mestre quisesse realizado, eu tratá-lo-ia de outro modo. E se eu precisasse de riquezas, tê-las-ia acumulado, não para mim, mas para o Mestre, e ao acumula-las, saberia que tinha que me sacrificar, e tinha que suportar enormes sofrimentos e mal-entendidos. Mas é a atitude que conta. Estamos com medo de que as nossas capacidades não nos guiem pelo caminho que nos foi preparado. Assim temos que descobrir antes de servir realmente, de que maneira cada um de nós pode servi-Lo, de que modo podemos oferecer o nosso sacrifício, e ao descobrir qual o nosso caminho deveremos descobrir a qual tipo pertencemos, se ao tipo que vai para o mundo e se desenvolve no mundo, por assim dizer, ou é deixado numa estufa e evolui, como uma planta, igualmente cheio de força. Há pessoas que trabalham no mundo por vários anos, que trabalham e fazem de tudo sem descobrir qual o propósito da vida. Descobrem o seu propósito por acaso, mas acumularam tanto do que o mundo tem para dar que ao entrarem em contacto com as realidades espirituais abrem mão de tudo o que adquiriram, enquanto aqueles que cresceram numa estufa separados do mundo alcançam o objectivo por outro caminho.

Portanto tal não tem importância desde que tenhamos aprendido o que ambas as guerras de identidade podem oferecer, e não até então estarão aptos a servir o mundo. Imaginem apenas uma pessoa que é criada, diga-se, num templo onde é reprimida, onde desenvolve complexos. Assim que essa pessoa sai lá para fora para o mundo, tem a melhor das diversões; e é o mesmo com a pessoa que trabalha cá fora no mundo. Não podemos evoluir ao longo de uma linha definida. Devemos evoluir em todas as direcções e até lá não ajudamos e só atrapalharemos.

Tal como eu conheço o meu próprio caminho, também cada um de nós deverá descobrir o seu caminho e até essa descoberta ser feita não devemos estar prontos ou aptos para servir o Mestre. Aqueles de nós que têm imaginação, que em certo grau têm a capacidade de tomar uma visão impessoal da vida, podem descobrir isto. Mas a maioria de nós não têm o desejo de servir, nem o desejo de alcançar o seu caminho ou objectivo.

O nosso problema é que tal como no mundo exterior, temos os nossos direitos adquiridos. E desde que exista o elemento de egoísmo, não descobriremos o caminho. Cada um de nós quer que o Mestre desça até si; mas o que não aprendemos foi que, mesmo como imaginamos, se Ele descesse das nuvens, seríamos incapazes de O servir, porque não nos equipámos para Lhe prestar serviço.

Devemos descobrir de que maneira podemos servir, e isso implica a completa violação de nós mesmos, das nossas relações, etc. Não é que não tenhamos o desejo, nem a nostalgia que as grandes pessoas têm; mas em nós não é constante. Não existe aquela pressão contínua que nos mantêm a andar, a andar, a andar. Significa verdadeiro sacrifício, significa subjugar-nos em tudo e não deixar o ego (a personalidade, o eu) ficar-se por cima. Então deixaremos de distorcer as coisas para que se encaixem nos nossos preconceitos, mas compreendê-las-emos de um modo total; por outras palavras, tornam-se realmente simples.

Devemos ter a coragem e determinação para desistir; e quando subimos e atingimos uma certa distância, descobrimos o quanto de tolos somos ao lutar pelo que é tão trivial, tão simples. Existem tantos temas com os quais lutamos de uma forma tão complicada; mas se nós apenas nos deixássemos expandir um pouco, todos estes temas se tornavam simples, todas as complicações desapareceriam. Mas requer que nos observemos constantemente, que estejamos atentos para ver se estamos a fazer a coisa certa ou a coisa errada.

Cada um de nós sabe destas coisas de fio a pavio, e mesmo assim se o Mestre chegasse e perguntasse o que cada um de nós soube fazer, de que modo agimos na sua ausência, de que modo cumprimos o nosso papel, quais seriam as nossas respostas? É surpreendente como não conseguimos mudar, como devíamos, tal e qual uma flor. A nossa crença embora forte, não é a crença de um homem que age com uma determinação fixa. Essas são, no entanto, as pessoas que o Mestre quer ao Seu serviço, e não somente aquelas que são apenas devotas, sem que essa devoção as conduza à acção. Se nós conseguirmos pôr de lado a nossa própria evolução, e trabalhar e esquecermo-nos de nós mesmos no trabalho, então seremos verdadeiramente servis e aproximar-nos-emos do Mestre. Pode ser que eu seja jovem, que eu não tenha sofrido como os mais velhos já sofreram, mas se o sofrimento pode desalentar o entusiasmo então mais vale não tê-lo. Mas o que foi que nos ensinou o sofrimento?

Como disse no início, não existe nada tão absorvente como o estudo de nós mesmos. Esse é o único assunto sobre o qual vale a pena pensar; porque significa mudança. Não existe ninguém para forçar os mais velhos, e portanto ficam cristalizados. O que interessa é descobrir o que podemos fazer e até onde nos podemos sacrificar; quanta é a nossa força e quais as nossas capacidades. Quando vemos pessoas numa atitude de reverência, penso frequentemente no que terão feito por via do sacrifício.

Nos anos que estão para vir, ou temos que nos adaptar rapidamente à corrente em mudança, ou sair completamente dela. Quando definitivamente agarrarmos um vislumbre do Plano, por mais passageiro que seja, e sabendo que devemos continuar, simplesmente continuaremos, porque é muito mais divertido do que somente marcar o tempo. O que interessa é termos de fazer qualquer coisa para mudar. A velhice não significa que não podemos mudar. Por outro lado, é mais fácil para os mais velhos, porque eles já tiveram a experiência, e o sofrimento; no entanto continuam do mesmo velho modo de perpétua negligência. Se querem ganhar dinheiro, vão e ganhem milhões, e dêem-nos ao Mestre, e podem fazê-lo se tiverem a atitude correcta. E é o mesmo com tudo o resto que queiram fazer – escrever á maquina, estenografar ou qualquer outra coisa que desejem que seja o vosso serviço para o Mestre. A atitude é o que conta e quando chegarem lá todo o resto se seguirá.


Jiddu Krishnamurti

Quinta-feira, Junho 26, 2008

Eu Sou... Deus

Eu,

Eu sou,

Eu sou Deus.

Estou a ter um aparente acesso de megalomania? “Ei, quem és tu para afirmar uma coisa dessas?”, perguntariam uns quantos de olhos esbugalhados sentidos de que perverti o sentimento de mediocridade imposto sobre todos nós... Mediocridade!! Sim ouviram bem. Repito: MEDIOCRIDADE, MEDÍOCRE. É o sentimento que nos tentam impingir. Tentam nos fazer sentir que somos uma criatura insignificante neste cosmos, que as dimensões do Universo nos reduzem a formigas, escravas da nossa própria racionalidade, que escavam túneis ou abrigos de cimento e madeira, alumínio e terra cota. Coitadas das formigas, que traumas psicológicos não terão em saber da sua pequenez no Universo. E os formigueiros que muitas espécies constróem? Será que elas estão conscientes dos efeitos sobre o mundo natural, que a construção de tais formigueiros acarreta? Da quantidade de solo que usam, da imensa poluição que os seus dejectos provocam, das devastações de plantas, folhas e animais que uma colónia de formigas causa para se manter viva? Estarão elas conscientes dos efeitos que podem provocar a longo prazo se continuarem a funcionarem assim, a agir desse modo? Dividirão elas o mundo em Mundo das Formigas e Mundo Natural? Ou tal divisão não é a nossos olhos perceptível? E se não a vemos quererá dizer que não existe? Ou só existem estes dois mundos porque os pensamos, porque os criamos num momento de insanidade psicológica, e nos deixamos levar pela ideia de tal ideia ser verdade? Será o nosso mundo realmente artificial?

Se somos seres Medíocres? Possivelmente, mas não vou generalizar e chamar medíocre aos outros. Vou só falar de mim. Vou só tomar-me a mim mesmo como exemplo, o único e verdadeiro exemplo que posso evocar, eu mesmo, a minha pessoa, a criatura que sou, ou que tentaram convencer que sou. Não sei onde vou chegar com esta atitude mas tenho que a EXPLORAR... tenho que a examinar, tenho que a observar e contemplar para me desvendar. Não quero partir de preconceitos formado pelos outros, vou partir dos preconceitos formados por mim, se algum realmente existir. Não me tomo por medíocre. Mas observo-me cheio de dificuldades perante o mundo. Não sou um poço de sabedoria, e tenho sérias dúvidas sobre tudo o que me foi ensinado. Como afirmou Descarte, “A minha única certeza é a de duvidar de tudo”, o mais alto grau de cepticismo psicológico. Mas mais uma vez estou a ir de encontro aos preconceitos formulados por outros. Como encaro eu esta afirmação sobre tudo por em dúvida? Será ela verdadeira para mim? Terá sentido tomar esta atitude só por que eu a ouvi falar e de alguma forma me reconhecer com a sua ‘verdade’, o sentido que sinto que nesta frase existe em mim? Que sentido faz para mim esta frase?

Duvidar do que é o amor, duvidar do que é a paixão, duvidar de todos os sentidos que se dão ás palavras, todos os significados. Aqui o silencio ganha por uma larga vantagem. Admitimos certas palavras como fazendo sentido na nossa vida. Temos que Amar. Temos que sentir compaixão pelos outros, pelos seres vivos, pelas plantas, pelo mundo inteiro. Teremos? A linguagem infiltrou-se-nos no pensamento e na forma de agir e não distinguimos uma coisa da outra. Unimos-las num mesmo ramo florido de sentimentos: Palavra, pensamento, acção.

Amor, sexo e paixão. Como se relacionam. O que é instinto aqui? O que é desejo aqui? O que dá prazer aqui? Para quê procurar cada uma destas palavras. Procurar amor. Procurar sexo. Procurar paixão. São estes os nossos guias na vida? A vida que pensamos ter e que pensamos pertencer-nos, é guiada por estas palavras? É nelas que fundamos a nossa existência, a forma como moldamos o nosso pensamento e as nossas acções? Que base é esta para nos fundarmos como seres?

Quem sou eu? Uma criatura medíocre perdida pelo Universo? Ou serei o próprio Deus, criador de universos, criador de vidas? Quem me defino ser?

Abandonarei todas as definições e tentarei partir em busca de uma definição pessoal, só minha? Ou deixo de pensar nas coisas definidas e tentarei encara-las sempre como indefinidas? Ou admito em todas as definições uma margem de indefinição?

Olho para mim e o que vejo? Que tenho tentado apaixonar-me por uma pessoa em particular. Mas qualquer rapariga seria uma pessoa ideal. Afinal é um ser humano, inserida numa sociedade semelhante á minha, e possivelmente tão carente do mesmo tipo de comportamento como eu. Conceitos de beleza acrescentam-se à minha definição de estar apaixonado, ou de inteligência, mais conceitos de saber-se comportar nesta e naquela situação, quando está comigo a jantar, quando saímos juntos com os amigos, e mais conceitos e definições sobre essa pessoa se vão formando à medida que vou criticando o que vejo. Começo a dizer o que gosto e o que não gosto na sua pessoa. E o que gosto começo a apreciar ainda mais e o que não gosto começo a detestar ainda mais. Ela não sou eu, e ao saber o que eu gosto nela, sorri, e ao saber o que não gosto nela, recolhe-se, e disfarça a sua forma de ser para evitar desanimar-me. E eu... faço exactamente o mesmo. Disfarçamos quem somos para nos agradarmos mutuamente. Fingimos ser o que não somos para sermos aceites.

Onde já vi eu este filme?

E depois, se nos aguentamos com este jogo por alguns anos, outros há que basta alguns meses, dizemos que aquela é a pessoa com quem devemos viver, devemos casar, devemos criar uma família. E neste fingimento de quem somos ou, de o que somos, acabamos por esquecer que isto é um jogo. Fingimos regras, simulamos comportamentos para nos suportar-mos mutuamente. E quando criamos uma família transportamos todo este fingimento, que em momentos se solidão, em momentos em que apenas nos temos que suportar a nós mesmos, sentimos que não estamos bem, que a experiência que temos criado não vai de encontro com o que sentimos. Que quando estou sozinho surgem desejos, surgem memórias de segurança adquirida no passado que não se adaptam ao presente, aquele momento de estarmos só no universo, e essa solidão não faz sentido, não se adequa com a normalidade de se ser feliz em sociedade e no mundo social . Somos os geradores dos nossos próprios conflitos e depois procuramos a origem. Esta PESSOA já não serve. O amor que existia fracassou. Não me entendo, já não sei quem sou e isolo-me. Reflicto. Sei que estou em busca de algo mas apercebo-me que não é do amor que me venderam. Imitar as formas de amor não é amar. Temos que descobrir esse amar não por imitação, não nos guiando pela autoridade das pessoas que pensamos serem felizes, mas guiando-nos por cada acção que tomamos. Estando atentos ao que fazemos com os outros e a nós mesmos, observando este fazer constante em que mergulhamos aprendemos a conhecer-nos, não como uma tábua rasa, em que esculpimos o que queremos ser, mas como a superfície de um lago que se agita para acomodar um pato que amara, um barco que passa, um balde que nos rouba a água. Que ao calor do sol se evapora, e que com o cair da chuva se renova.

Terça-feira, Julho 24, 2007

AMOR = (Que se Ame) + (Deixar-se Amar)

Tento agarrar as palavras que me rebentam a cada sentir que tenho. Soltam-se de mim sensações como balões cheios de hélio que sobem para o céu, destinados a perderem-se no imenso azul, enquanto eu silenciosamente os observo a afastarem-se. Mas apenas uma palavra me merece traduzir cada um desses sentires, dessas reacções químicas que se me formam: INEFÁVEL. Completamente inefável. Nenhum esforço pode traduzir ou representar aquilo que sinto. Mas é consciente dessa impossibilidade que a tarefa de me aproximar da sua discrição torna o desafio apetecível: tentar descrever o que não têm descrição, o que é inefável. O paradoxo que desafia a razão, razão da qual não podemos estar sempre imbuídos, ou deixamos de ser o que somos para nos tornar-nos num desejo de que queremos sempre ser algo que não somos, de sermos algo que os outros pensam que devíamos ser e que provavelmente não poderemos ser.

Deixem-me ser o que sou. Deixem-me ser o que sinto. E ao ser o que sinto sou sempre algo novo, uma criatura nova todos os dias que se faz e recria diariamente. Deixar a minha imaginação gerir o que faço e o que sou ou posso vir a ser. A liberdade de imaginar diariamente que sou um ser novo todos os dias e não um nome que me deram, um Paulo que dizem que sou. Não sou nada disso. Sou Inefável.


Quero amar o mundo e que o mundo me deixe ama-lo,
Quero continuar-te a amar sempre que estás presente.


A confusão que tantos criaram sobre o que é amar devia ser destruída.

Amar a cada bater do coração, amar em cada pulsação,
Amar sempre que respirar,
Amar para o nosso espirito limpar.
Amar em cada lagrima que nos cai,
Amar em cada palavra que da boca nos sai,
Amar sem pedir nada em troca, sem rejeitar.
Deixar amarmo-nos pelos outros, para que o mundo também possa amar.

Amar por que a vida é curta e o amor eterno.

E eu aqui que não me consigo conter de amar tanto este mundo.
Amar cada pássaro, cada árvore, cada pedra lascada.
Amo cada pessoa da rua, ou que cruzo na escada.
Amar o mosquito que me mordeu que o meu sangue bebeu,
Amar a dor que sinto, a tristeza que me invadiu.
Amar o ódio que se gerou ou o amor que fugiu.
Amar o bom e o mau, amar o possível e o impossível.
Amar o que existe, o que está aqui,
Amar-te a ti.

E... e se amar é tudo o que posso,
Então que ame.
Se a felicidade é poder amar,
Então que ame.
Se o amor é alimento,
Então que ame.
Se o amor é vida,
Então que ame.
Se amar é morrer lentamente,
Então que ame.
Se amar é sofrer,
Então que ame.
Se amar é me perder,
Então que ame.
Se amar é desesperar,
Então que ame.
Se amar é sentir,
Então que ame.
Se amar é aqui estar,
Então que se ame.

Amar só por amar
Sem medo de partir
Indiferente ao destino a que se chegar.

Quarta-feira, Julho 04, 2007

Crónica - De Férias...

O calendário marca o dia 4 de Julho, o sol lá fora ora se esconde ora mostra o seu sorriso, penso em sexo, tento escrever qualquer coisa no meu Blogg, não sei o que devo dizer, falar de politica, da crise económica do pais que muitos dizem que se vive? Da crise na saúde, e as crises internacionais, nas crianças inglesas que desaparecem no Algarve, das cheias na Inglaterra que põem mais ingleses a desaparecer, vejo corpos molhados semi-nus, penso em sexo, Lembro-me de uma conversa da minha irmã sobre uma amiga dela que disse ter sido minha colega de infância, procuro-a no Hi5, descubro quem é, Fogo Como o Tempo Passa, a moça está crescida, que bonito corpo, penso em sexo, ponho-me a procurar livros na net em português, sobre quê? tudo… Já passa da hora de almoço, descubro uns blogges interessantes, vidas que se queimam nas chamas da vida, Macau Lisboa Polónia, que andam a fazer as pessoas neste mundo? que faço eu? Estou de férias, penso em sexo, ..mas não acontece… não estou triste nem desiludido, estou um pouco de tudo em simultâneo. Dou com um blogg de um suposto casal desinibido que gosta de publicar as suas fotos e os seus vídeos caseiros. Morreu o actor Henrique Viana com 71 anos. O sol brilha agora em força lá fora, o verde da macieira do pessegueiro do chorão da roseira fervilha de frescura por entre a roupa do estendal, a minha mãe prepara grelhados para o almoço, estou de férias, vim dar-lhe mais trabalho, penso no que vou fazer hoje, tenho que ir ver livros, compra-los, de preferência bons e muitos, as férias estão a acabar. Estas férias já vou acabar o segundo livro, sem contar aqueles que já comecei sem data para terminar. Filosofia, ciência, não me saem da cabeça. “Só sei que nada sei e até disso não posso estar certo”. Escrever, de que serve? Tantas ideias, tantas opiniões, tantas experiências que vejo espalhadas pela rede, só fico com aquele sentimento de uma ignorância que não consigo saciar, como o sexo, de uma inveja de não conhecer os autores dos bloggs, queria comentar o que escrevem, riu com o que dizem, fico deprimido com o sucesso alheio, deixo de ficar e pergunto-me para que serve o êxito pessoal, essa satisfação do ego sobre a nossa relação com o mundo, a aprovação alheia, lutar por um ideal qualquer. Quero atirar isso tudo pelo chão e espezinhar todos os conceitos feitos, preconceitos que não consigo abandonar de tão entranhados que estão na minha programação, não sou uma máquina, posso desprogramar-me. Penso em sexo mas a sua ilusão desprende-se de mim como pó sacudido da roupa. E então todas as minhas ilusões e programações caem aprisionadas em cada grão de pó que se me desprendeu da roupa. Soltam-se numa nuvem densa que vai aumentando de transparência à medida que se afastam em direcção ao chão. E o cheiro de batatas fritas que corre da cozinha puxa-me para longe do teclado dando um fim a este começo. Agora já me sinto livre.

Terça-feira, Maio 08, 2007

Beijo

Depois de recolher algumas opiniões entre amigos e familiares sobre o meu ultimo texto "À Conversa Com..." decidi tentar algo mais apelativo, algo que vos convencesse a ler o meu texto até ao fim.. Vamos a ver se é desta ;-) Aguardo pelas vossas críticas num proximo café.

Dois textoszitos em dois dias? Só pode querer dizer uma coisa. Ou não tenho mesmo nada melhor que fazer ou voltei aos meus periodos produtivos de insónias. Uhm! São as duas.


Beijo

- Beija-me. - e ao pedido dela ele aproximou-se ainda mais.

Cheirou-a como um cão faminto que fareja um prato de comida oferecida. Aproximava-lhe o nariz da pele sem lhe tocar. Farejou-lhe o ar das orelhas, inspirou o aroma do champô que se libertava dos seus cabelos espigados. Foi inclinando a cabeça até ao ombro bafejando-lhe ar para a pele e a respirar os aromas da transpiração que se libertavam dela. No silencio envolvente os seus corações palpitavam acelerados em expectativa. O seu nariz continuava a sobrevoar a pele dela que como um oceano tempestuoso formava ondas epidérmicas de desejos ocultos. Um dos braços dela não aguentou e chamou-o a si. O nariz dele aterrou-lhe no pescoço onde se enterrou como um prego que penetra a casca de uma árvore. Ela sentiu o contacto e a violência do nariz dele. Mais um centímetro para a frente e, ele teria projectado todo o seu peso sobre o dela e, teriam ambos, ali, caído sobre o sofá como uma mortalha recebe o peso do tabaco. E teriam, ali, esfumado-se num só corpo, contorcentes de ansiedade, queimando-se nas chamas do desejo, ardentes de paixão.

Mas por um centímetro permaneceram de pé.

O braço dela apertava com mais força o seu corpo. O nariz que aterrara trouxera atrás dele uns lábios húmidos, que como tenazes apertavam a lenha de uma fogueira. Os lábios dele navegavam pela sua pele humedecendo-a com caricias quentes. O vapor do seu hálito impelia ao mesmo tempo a bandeira de um mastro cada vez mais crescente. E ela também o sentia, pois toda aquela roupa parecia transparente. E sentindo-o, o seu outro braço livre foi empurrando a sua mão até aos perigosos baixios onde outras naus haviam visto os seus cascos rasgados. Os lábios dele bebiam das ondas da sua pele, tragando lentamente toda a espuma de suor emergente. Aproximaram-se então dos lábios dela e foi nesse momento que pararam. Os olhos fintaram-se em desafio, hesitantes. Eram os olhos do toiro a fintar os do toureador. As mãos cavalgantes aguardavam pela decisão dos intervenientes. Quem avança e quem recua? Quem recebe e quem dá? E no segundo seguinte os lábios dele saltaram de imediato para o nariz dela, saboreando-lhe a respiração.

«Tocar os meus lábios é colher o néctar dos meus segredos.» lembrou-se ele das palavras que ela lhe havia dirigido naquela tarde. Aquelas palavras ainda atonavam à sua mente quando pensava demais nela. Quando só nela podia pensar e recria-la, imagina-la, sem no entanto tocar-lhe. Aquela descrição caída num primeiro encontro não mais lhe havia de sair do pensamento. E a cada vez que os seus corpos ficavam a milímetros ele não conseguia livrar-se daquela frase e da forma como ela o havia dito, dos gestos, da sua expressão facial. Houve naquele momento uma conspiração de sentimentos que nunca mais lhe haviam de arrancar aquela expressão da cabeça.

As mãos dele espetaram-se nos seus cabelos vasculhando o seu couro cabeludo por pepitas de ouro perdidas. As mãos dela agarraram na roupa que lhe cobria o corpo e foram soltando-lhe peça a peça. As mãos dele fizeram o mesmo. E soltos do peso das indumentárias sentiram-se livres para se amarem.

Satisfeitos olharam-se em sorrisos cúmplices e sem palavras. Ela saltou do sofá e procurou a bolsa. Vasculhou o seu interior e sacou um maço de cigarros. Libertou a chama do isqueiro e incandesceu a ponta imaculada do palito de tabaco. Ele deixou-se a observar a sua figura nua e fumegante como um rio que olha um barco a vapor inconsciente da sua nudez perante a água.

Segunda-feira, Maio 07, 2007

À Conversa Com...

- Você é poeta?

- Quem, eu? Acha-me um poeta?

- Pois você, quem mais está aqui? E segundo os meus padrões de leitura aquilo que escreve é chamado de ‘poesia’.

- Acha mesmo que sim, que aquilo que eu escrevo é poesia?

- Eu acho. Afinal de contas até rima e tudo. Já vi gajos dizerem-se poetas e escreverem coisas na forma de curtas frases, como na poesia, mas que nunca conseguiam rimar palavra nenhuma. E desses eu não gosto nada. Para mim a poesia tem de rimar...

- Mas olhe que existe muita boa poesia que não rima. Por que é que acha que a poesia deve rimar?

- Não sei muito bem explicar, mas se a coisa não rimar não parece tão bonito, não soa tão bem. É como estar a ouvir a Madona cantar comparada com o meu professor de ciências a dar uma palestra sobre o funcionamento do corpo humano.

- Mas que bem. Afinal você também tem uma veia poética.

- Eu? Mas porquê?

- Ora então não se recorda do que disse? Acabou de comparar a Madona a cantar com o seu professor de ciências a dar uma palestra. Já viu a imagem que criou? Eu cá adorei. Essa sua comparação penetrou fundo em mim pois consegui rapidamente imaginar a Madona a cantar e ver no mesmo palco, ao lado da Madona, o seu professor de ciências a recitar uma palestra. Essa é uma das características da boa poesia. Tocar forte e depressa no leitor com o menor numero possível de palavras. A rima é um acessório, serve para estimular a sensibilidade auditiva e influenciar a imaginação de quem lê. Se bem dirigida, dá uma força, ou um impulso extra ao poema.

- Então concorda comigo. A boa poesia tem que rimar. Eu sabia...

- Não é a rima aquilo de que falo. É a sonoridade, é o paladar sonoro das palavras que lemos mentalmente. É o som das palavras no local certo com a imagem certa que refinam e aumentam o choque do poema sobre o leitor. E é esse choque que o poema dá ao leitor que torna o poema belo ou não.

- Sinceramente nunca tinha visto a rima nesse aspecto como agora me conta. Então que função tem a rima?

- Que é a rima? Ora observe você mesmo. Já viu como é que aparece disposta a rima? Ás vezes só os versos impares rimam, outras só os versos pares de um poema. Outras há que versos pares e impares rimam, outras só rimam o primeiro verso por cada conjunto de dois versos e por ai fora. As sequências possíveis são muitas. É àquilo a que os linguistas chamam de métrica. Os Lusíadas tem várias métricas ao longo de cada canto, a Mensagem tem outras variantes métricas e muita outra poesia que rima tem métrica. Mas rimar nem sempre fica bem. Nem sempre exprime o que o autor deseja transmitir. A regra de que um poema deve rimar vai contra a própria ideia do sentido da poesia.

- Há vai? Então o que é a poesia?

- A poesia é aquilo que os poetas escrevem.

- Então e quando um poeta escreve uma carta à tia para lhe pedir um quilo de carne de vaca pela Páscoa? Essa carta também é poesia?

- Você gosta mesmo de fazer perguntas complicadas.

- Por acaso até gosto, faz parte da minha profissão, sabe?

- Sei pois. Por isso é que aceitei o seu convite para aqui vir. Se fosse para mais uma daquelas entrevistas aborrecidíssimas sobre o porque escrevi isto e porque escrevi aquilo... não teria vindo. (risos)

(...e a conversa continuou noite fora ao sabor de pevides salgadas e bebidas variadas...)